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5.05.2010

REVELAÇÃO MESSIÂNICA NO A.T.


Por

Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior


TEXTO BÁSICO: Hebreus 1.1-14

OBJETIVO DA LIÇÃO: O objetivo da lição é apresentar alguns aspectos no Velho Testamento sobre Cristo e Sua obra.

INTRODUÇÂO: Deus é um Deus que se revela. Deus se revelou através do Filho Hb 1.1-2. Podemos ter uma pequena compreensão sobre a Pessoa de Cristo no Antigo Testamento estudando alguns aspectos, por exemplo: os “tipos” de Cristo; os sacrifícios do antigo pacto e sua relação com Jesus; as profecias que se cumpriram no Novo Testamento e, por fim, as Teofanias e sua relação com o filho de Deus. Trataremos, por causa do espaço da lição, de forma sucinta sobre o tema citado, contudo, os textos apresentados serão suficientes para a compreensão do aluno.


(1)                   A revelação de Cristo no A.T. através dos Tipos. Dentre vários, iremos citar alguns:
Em Teologia Bíblica, a tipologia é o estudo dos tipos e se denomina assim a um objeto, animal, pessoa ou instituição, em geral do A.T., que representava ou prefigurava outra, chamada “antítipo”, cujo cumprimento se produz ou se anuncia no N.T. Um tipo se diferencia de um símbolo ou de uma profecia, em que o tipo tem existência histórica. Por exemplo: Agar e Sara foram tipo do Pacto antigo e novo (Gl 4). O templo foi um tipo de Igreja (1Co 3.16-17). Tem-se, contudo, de sermos cuidadosos, porque na tipologia alguns tem exagerado indo além do que o N.T. revela. Em geral, só podemos afirmar com segurança a existência de uma relação tipo-antitipo quando o N.T. o declarar explicitamente. Nos demais casos se torna apenas conjectura humana e, por vezes, falíveis.


1.1  Adão – como representante da raça e primeiro homem, é “figura daquele que havia de vir” (Rm 5.14c). Por isso é dito que se pela desobediência de um, todos morreram, pela obediência de um muitos serão salvos (Rm 5:19). Cristo é chamado de “o último Adão em espírito vivificante” (1Co 15.45b).

1.2  Abel – O justo, ofereceu excelente sacrifício, aprovado por Deus. Oferta que, mesmo depois de sua morte, ainda fala (Hb 11.4). No trecho seguinte o autor de Hebreus não menciona “outras coisas”, mas “coisas superiores” que Jesus e o sangue da aspersão falam através de Abel (Hb 12.24).

1.3  Melquisedeque – Rei e sacerdote, abençoou e recebeu dízimo dos despojos de Abraão, o Pai da fé e bisavô de Levi (Gn 14). Cristo em seu sacerdócio é o seu antítipo (Hb 7).

1.4  José do Egito – De todos os tipos de Cristo do V.T., não há nenhum mais amplo, completo e mais instrutivo que José. Embora o NT não indica que José é um tipo de Cristo, porém, as analogias são demasiadamente numerosas para serem acidentais. Por exemplo: "Através do poço e da prisão, rumo ao palácio" – assim pode ser resumida a história de José. "Por meio da manjedoura e da cruz, rumo à coroa de glória" – pode igualmente descrever "os sofrimentos referentes a Cristo e as glórias que os seguiram” (1Pe 1.11). Amado por seu pai (Israel amava mais a José – Gn 37.3). No NT é declarado o amor do Pai para com o “Filho amado” (Mc 1.11; 9.7; Jo 3.35). Os sonhos de José (Gn 37:6-10) eram revelações de Deus sobre a sua glória futura. Da mesma forma, a grandeza futura da criancinha de Belém lhe foi revelada por um mensageiro angélico (Lc 1.32,33: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo”). Ambos foram odiados por seus irmãos que conspiravam sua morte (Gn 37.8; Gn 37.18; Mc 3.6; 12.6,7; Mt 26.4). Ambos foram despidos de sua túnica (honra) (Gn 37.23; Mt 27:28). José foi tirado da casa de seu pai e foi viver no Egito como servo. Jesus também deixou a casa do Pai celestial e veio ao mundo em forma de servo (Fp 2.7). Venderam José como escravo por vinte siclos de prata (Gn 37.28) e Jesus por preço de escravo, trinta moedas de prata (Mt 26.15). José e Jesus foram contatos com os transgressores. No final de suas vidas, o Senhor fez conhecer sua glória e autoridade àqueles que o odiavam (Mt 26.64, Mc 14.62). José foi o salvador de seu povo, Jesus é o Salvador dos eleitos.

1.5  Moisés – renunciou o trono do Egito, preferindo sofrer com o povo de Deus pelo opróbrio de Cristo (Hb 11.23-29). Ele foi profeta (Dt 18.18) e mediador que intercedeu pelo povo (Êx 32.30-32). Moisés é uma figura daquele que haveria de vir (Hb 3.1-6).


(2)                   A Revelação de Cristo através dos Sacrifícios no A.T.

2.1 – O Cordeiro Pascal – Êxodo 12.12-13. A salvação pelo cordeiro (sem defeito) sacrificado na páscoa ajusta-se ao seu antítipo: Cristo em seu sacrifício perfeito na cruz. Essa perspectiva tipológica expressa a ênfase bíblica de que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22). Quando João Batista afirma: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), ele está corretamente interpretando Jesus como o antítipo do cordeiro pascal. Além disso, na própria Ceia do Senhor, celebrada numa refeição pascal, temos a confirmação de que o cordeiro pascal da antiga aliança era um tipo de Cristo: “Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança (Mc 14.24)”. Eis o único sacrifício que agradou a Deus. Não é mais preciso hoje fazer “sacrifícios” diante de Deus para sermos aceitos por Ele. Basta crer no sacrifício que Jesus já fez na cruz do Calvário, de uma vez por todas e para sempre.

2.2 – A Serpente de Bronze – Nm 21. Cristo, o antítipo, em sua maldição na cruz é o antídoto para a picada do pecado, da morte eterna (Jo 3.14). Esse é o significado da serpente amaldiçoada num pedestal (Nm 21.8,9). Bastava olhar para a serpente de bronze para que a cura fosse efetuada. Hoje, basta “olhar” para Jesus para termos os pecados, o veneno de nossa alma, retirados para a glória de Deus. Nada de corrente, rosa ungida, sal grosso etc. Olhe pra Jesus e viva uma vida de plena paz e perdão.

2.3 – O Véu do Templo – Em Marcos 15.37-38 podemos ver a relação entre o véu rasgado e a carne de Cristo que tipifica a mediação expiatória (Hebreus 10.19-22). Este é um “tipo de acesso”. O véu que até então ficava dependurado entre o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo fora rasgado (Êx 26.33) e agora temos acesso diante de Deus, sem mediadores humanos, sejam eles padres, pastores, bispos ou apóstolos.

2.4  – A Rocha Ferida – A rocha era Cristo, que, na cruz, seria ferido apenas uma vez (1Co 10.4). Moisés, numa segunda ocasião, foi ordenado a falar com ela; e pela sua desobediência a essa ordem não recebeu licença de entrar na terra prometida.

2.5 – O Bode Expiatório de Levítico 16 – A doutrina da expiação da Igreja Cristã tem defendido que Cristo é o único expiador, sendo que Satanás não tem nenhuma parte na expiação. Com base em Levítico 16.5-10, alegando que o bode emissário tipifica Satanás, os Adventistas do Sétimo Dia[1] defendem que Satanás não somente levará o peso e castigo de seus próprios pecados, mas também os pecados da hoste dos remidos, os quais foram colocados sobre ele. No entanto, veja o que diz a Bíblia: Isaías 53.4-6, 11, 12 e compare com Mateus 8.16-17; João 1.29; 1Pedro 2.24; 3.18.

Segundo o ensino dos ASD: Satanás terá de levar sobre si os pecados dos remidos e expiá-los, tornando-o assim co-redentor. O próprio Satanás terá de ser um dia aniquilado para que os pecados dos crentes sejam também cancelados.

Segundo o ensino da Bíblia: Os nossos pecados foram colocados sobre Jesus (Jo 1.29; 1Pe2.24; Is 53.4-6,11; Mt 8.16,17; 1Pe 3.18). Satanás será castigado pelos seus pecados (Mt 25.41).

O que o bode representa afinal? Lv 16.5,10: São apresentados dois bodes para expiação dos pecados; Não era só o bode expiatório que fazia expiação pelo pecado. Eram os dois bodes (Lv 16.10). Portanto, trata-se apenas de dois aspectos com relação a obra de Cristo: ele é o mesmo que paga pelos nossos pecados derramando o seu sangue, como também, é o mesmo que leva nossos pecados embora para sempre.

(3)                   A revelação de Cristo no A. T. através das profecias.

Devido ao espaço da lição iremos apenas citar algumas profecias com relação a Cristo e Sua obra salvífica expressa no A.T., e seu cumprimento no N.T[2]. Como nos diz Isaías: “diz, "Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade; que eu sou Deus e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; e que desde o princípio anuncio o que há de acontecer, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”. Cristo cumpre como ninguém as profecias do A.T. Até mesmo aquelas que estariam a parte de qualquer intervenção humana.

  • Nasceria da Semente de Mulher – Gênesis 3.15; Mateus 1.20
  • Nasceria de uma Virgem – Isaías 7.14; Mateus 1.18, 25 
  • Filho de Deus – Salmo 2.7; Mateus 3.17 
  • Semente de Abraão – Gênesis 22.18; Mateus 1.1 
  • Filho de Isaque – Gênesis 21.12; Lucas 3.23-34 
  • Casa de Davi – Jeremias 23.5; Lucas 3.23-31 
  • Nasceria em Belém – Miquéias 5.2; Mateus 2.1 
  • Ele seria um Profeta – Deuteronômio 18.18; Mateus 21.11 
  • Ele seria um Sacerdote – Salmo 110.4; Hebreus 3.1; Hebreus 5.5-6 
  • Ele seria o Rei de todo Israel – Salmo 2.6; Mateus 27.37 
  • Ele seria Juiz – Isaías 33.22; João 5.30 
  • Ele deveria ser precedido por um Mensageiro – Isaías 40.3; Mateus 3.1-2 
  • Seria rejeitado pelo Seu próprio povo – Isaías 53.3; João 7.5; João 7.48 
  • Seu lado seria perfurado – Zacarias 12.10; João 19.34
  • Crucificação – Salmo 22.1, 11-18; Lucas 23.33; João 19:33; João 19.23-24

(4)                   A revelação de Cristo através das Teofanias.

A palavra Teofania significa: “manifestação” ou “aparição de Deus.” Várias passagens do Antigo e do Novo Testamento nos dizem que Deus é invisível, inacessível para os seres criados. Outras, de fato, nos recomendam procurar a face de Deus. Nós devemos aceitar juntas estas duas verdades aparentemente contraditórias e lembrarmo-nos do texto evangélico que diz que só se conhece o Pai através do Filho “e aquele a quem o Filho O quiser revelar” (Mt 11.27).

Encontra-se no Antigo Testamento numerosas “Teofanias”. E frequentemente coma aparição de um anjo que Deus Se põe a serviço do homem (Gn 16.7-14). Deus permanece invisível, porém Sua presença é assinalada, como no episódio do combate de Jacó com Deus (Gn 32.23-33). Para Moisés, foi de início sob o aspecto da sarça ardente (Êx 3.1-7) que Deus se manifestou antes de Se revelar sobre o Monte Sinai (Êx 33.18-23). A presença de Deus Se manifestou a Elias como uma “voz mansa e delicada” (1Rs 19.12).

O Anjo do Senhor que aparece em diversas passagens do Novo Testamento é comparado com JEOVÁ. A passagem que melhor descreve esta relação encontra-se em Isaías 63:8-9, onde Deus é chamado de Salvador de Israel, mas é o Anjo da Sua presença que salva Israel. Este Anjo de Deus é geralmente visto pelos primeiros pais da Igreja como o Logos ou a Palavra de Deus (João 1.1), aquele que declarou Deus e cuja glória nós vimos (João 1.14,18; cf João 12.45; 14.9; 2Coríntios 4.4-6; Colossenses 1.15; 2:9; Hebreus 1.3). Segue uma lista de versículos onde este Anjo/Logos aparece: Gn 16.7-14; 21.17-19; 22.1-2,11-18; 31.11-13 com 28.13 e 35.1,3,7,15;  48.15-16. Êx 3.1-6; 13.21-22; 14.19 e Nm 20.16; 23.20-23. Cf Atos 7.30-38. Is 63.8-9; Os 12.3-5. Cf Gn 32.24-30. Malaquias 3.1 (mensageiro da aliança = anjo da aliança).

CONCLUSÃO: As considerações finais podem ser resumidas nos seguintes pontos: (1) que a Bíblia é a Palavra de Deus; (2) que ela constitui um todo de forma sobrenatural e perfeita; (3) que o Antigo e o Novo Testamento estão relacionados um com o outro como tipo e antítipo, profecia e cumprimento, embrião e desenvolvimento perfeito; e (4) que Cristo é o tema central da Palavra e Deus – tire Cristo da Palavra e não sobrará nada do que pregar. E infelizmente é isso que tem acontecido. Quando Cristo não é pregado surge toda sorte de heresias destruidoras e doutrinas de demônios.


SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

1.                  Quais outros tipos de Cristo você pode identificar no A.T.?
2.                  Em sua opinião, qual sacrifício do A.T. mostra melhor a Pessoa de Cristo e Sua obra na cruz?
3.                  Cite, pelo menos, mais cinco profecias relacionadas com Cristo e que importância elas tem para a sua salvação?
4.                  Como você pode provar que o Anjo do Senhor é Jesus pré-encarnado? Isso não seria uma heresia?


______

*O Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior nasceu em Esperança – PB. Faz parte do quadro de ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. Palestrante e pesquisador na área de Apologética em geral, Técnico Agrícola pela UEPB e Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Fez um curso de Apologética por extensão pelo ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). Especialista em Teologia e História pelo SPN – Seminário Presbiteriano do Norte (Recife). Atualmente faz gestão Pública pela Metodista de São Paulo (EAD - Pólo: Campina Grande) Novo E-mail: oapologista@yahoo.com.br



[1] Esta doutrina pode ser encontrada nos seguintes livros adventistas: “O Ritual do Santuário, pp. 168 e 315” e “O Conflito dos Séculos, pp. 421 e 489”.
[2] Para uma lista mais completa, confira: House, H. Wayne. Teologia Cristã em Quadros, São Paulo, Vida, 2000, p. 68. (Tabela 32).

5.01.2010

O NASCIMENTO VIRGINAL DE CRISTO



Por

Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior

TEXTO BÁSICO: Isaías 7.14

OBJETIVO DA LIÇÃO: Esta lição tem como objetivo esclarecer sobre o nascimento virginal de Cristo, respondendo a quatro questões fundamentais sobre o assunto: Qual a importância do nascimento virginal de Cristo? Existe prova bíblica sobre o nascimento virginal? Maria é mãe de Deus? O que significa a “filiação eterna de Cristo”?

INTRODUÇÂO: Um dos assuntos mais debatido e controvertido, para alguns, é o nascimento virginal, por meio do qual Jesus assumiu a forma humana. O que será analisada aqui, em suma, é a questão da "concepção virginal". Ou seja, a concepção de Jesus no ventre de Maria foi ou não consequência de uma relação sexual? E o que isso significa para nós cristãos?

Como nos diz Millard J. Erickson[1]: No final do século XIX e no início do século XX, o nascimento virginal esteve no centro do debate entre os fundamentalistas e os modernistas. Os fundamentalistas insistiam na doutrina como uma crença essencial. Os modernistas ou a rejeitavam, considerando-a não essencial ou insustentável, ou a reinterpretavam de alguma forma não literal. Para aqueles, era uma garantia da singularidade qualitativa e da divindade de Cristo, enquanto para estes, parecia um desvio da atenção que se afastava de sua realidade espiritual para fixar-se numa questão biológica.
Mas para entendermos um pouco melhor o que se refere esta controvérsia, vamos examinar as perguntas acima propostas:

(1)   Qual a importância do nascimento virginal de Cristo?

      Jesus nasceu como todos os homens, no entanto sua concepção no ventre de Maria foi de origem divina, sem a participação do componente sexual masculino. Teologicamente chamamos a isso de concepção virginal. Maria era virgem na época da concepção e assim continuou até o momento do nascimento de Jesus. As Escrituras deixam muito claro que José não teve qualquer relação sexual com Maria antes do nascimento de Jesus (Mt 1.25). 

        A influência sobrenatural do Espírito Santo é que tornou possível a geração de Jesus no ventre de Maria. Isso também não significa que Jesus é o resultado de uma relação de Deus com Maria, seria algo inconcebível. A concepção de Jesus foi um milagre, e alguns a negam pelo simples fato de não crer em milagres, daí tentam achar explicações lógicas para os relatos milagrosos da Bíblia.

ü  A importância do nascimento virginal de Cristo se dá pelas seguintes razões:

·         Que nossa salvação é sobrenatural (Jo 1.13): a salvação não vem pelo nosso esforço ou realização.
·         Que a salvação é uma dádiva da Graça (Ef 2.8): assim como não houve nenhum mérito em Maria para que fosse escolhida, da mesma forma acontece conosco quando somos salvos
·         A firmação da natureza sobrenatural da salvação, sem qualquer intervenção humana.
·         A salvação não depende de qualquer qualificação humana (a origem humilde de Maria).
·         Prova da singularidade de Jesus. Ninguém nasceu como Ele.
·         Evidência do poder e soberania de Deus sobre tudo, inclusive sobre a natureza.
·         Cumprimento das profecias com relação ao Messias. Se a profecia de Isaías 7.14 não se cumpriu literalmente, então todas as outras profecias ficariam e cheque. Negar o nascimento virginal é negar a veracidade das Escrituras.
·         Era mister que Cristo se constituísse o Messias e o messiânico Filho de Deus. Conseqüentemente, era necessário que Ele nascesse de mulher, mas também que não fosse fruto da vontade do homem, mas nascesse de Deus.
·         Se Cristo fosse gerado por um homem, seria uma pessoa humana com a semente do pecado em si, incluída na aliança das obras, e, como tal, partilharia da culpa comum da humanidade.

(2)   Existe prova bíblica sobre o nascimento virginal?

A doutrina do nascimento virginal é baseada, essencialmente, em duas referências bíblicas explícitas — Mateus 1:18-25 e Lucas 1:26-38. No entanto, há outras passagens no Novo Testamento que alguns alegam referir ou pressupor o nascimento virginal, e existe a profecia de Isaías 7.14 que é citada por Mateus (1.23). Mas mesmo levando essas passagens em consideração, o número de referências relevantes é bem pequeno, comparado com outras doutrinas bíblicas que geraram controvérsia semelhante, que trazem um número maior – como a divindade de Cristo, por exemplo. O fato de a Bíblia afirmar o nascimento virginal não uma, mas duas vezes, no entanto, é prova suficiente. Uma vez que cremos que a Bíblia é inspirada e autorizada, Mateus 1 e Lucas 1 convencem-nos de que o nascimento virginal foi fato.

Portanto, a doutrina do nascimento virginal baseia-se nas seguintes passagens das Escrituras: Is 7.14; Mt 1.18, 20; Lc 1.34, 35, e também é favorecida por Gl 4.4. Esta doutrina foi confessada na igreja desde os primeiros tempos. O Credo Apostólico, resumo das crenças da Igreja Primitiva, já dizia: “Creio em Deus Pai, Todopoderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria”.

A pergunta 35 do Catecismo de Heidelberg, relacionado com a declaração credal, diz o seguinte: O que você entende, quando diz que Cristo "foi concebido pelo Espírito Santo e nasceu da virgem Maria"? Entendo que o eterno Filho de Deus, que é e permanece verdadeiro e eterno Deus, tornou-se verdadeiro homem, da carne e do sangue da virgem Maria, por obra do Espírito Santo. Assim Ele é, de fato, o descendente de Davi igual aos seus irmãos em tudo, mas sem pecado. Mt 1.23; 3.17; 16.16; 17.5; Mc 1.11; Jo 1.1; 17.3, 5; 20.28; Rm 1.3,4; 9.5; Fp 2.6; Cl 1.15, 16; Tt 2.13; Hb 1.3; 1Jo 5.20; Mt 1.18, 20; Lc 1.31, 42, 43; Jo 1.14; Gl 4.4; 2Sm 7.12; Sl 132.11; Mt 1.1; Lc 1.32; At 2.30, 31; Rm 1.3; Fp 2.7; Hb 2.14, 17; 4.15; 7.26-27. 

(3)   Maria é mãe de Deus (a controvérsia theotokos x christotokos – Cirilo x Nestório)?

O termo Theotókos foi dado a Maria no concílio de Éfeso em 431 d.C., e realçava mais a divindade do Filho do que o privilégio da mãe. Que depois foi deturpado e absorvido pela Mariolaria romana. Houve grande debate entre Cirilo e Nestório. O primeiro defendia o termo Theotokos e o segundo o termo Christotokos. Ou como bem explica o Dr. Joseph Mizzi[2]: O Credo de Calcedônia, 451 d.C., inclui o termo grego “theotokos” para definir a identidade de Cristo. “Theotokos” significa literalmente “portadora de Deus”, que é imprecisamente traduzido para o latim como “Mater Dei” – Mãe de Deus. O termo foi usado para realçar o fato de que a criança nascida de Maria era realmente Deus e assim evitar o erro de dizer que Cristo era duas pessoas em um corpo ao invés de uma. Esta heresia, “Nestorianismo”, foi condenada no Primeiro Conselho de Éfeso em 431 d.C. O Credo afirma que Cristo foi “gerado segundo a divindade pelo Pai antes de todos os séculos, e nestes últimos dias, por nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade”. O credo não ensina que Maria é a mãe da divina natureza de Cristo. Como Deus, Cristo não tem início nem mãe. De fato o credo explicitamente diz que Ele foi gerado “antes de todos os séculos”. Além disso, o credo qualifica o significado de “theotokos” com a frase “segundo a humanidade”, ou, numa outra tradução, “nascido da virgem Maria, que é portadora de Deus em respeito a humanidade dele”. É apenas a natureza humana de Cristo que se relaciona com Maria, de quem Ele nasceu e era descendente.

A Liturgia da Igreja Romana celebra Maria como a Aeiparthenos, “sempre virgem”. No entanto, a Escritura é clara com relação de que Maria teve outros filhos com José: Em Mt 1.24 e 25 está escrito: “E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher: e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus”. Há dois aspectos interessantes nestes versículos: 1º) O “...até...”; mostra que José conheceu sexualmente Maria depois do nascimento de Cristo; e 2º)  Jesus é chamado de primogênito, ou seja, Jesus é chamado de o primeiro filho gerado por Maria, mostrando que Maria gerou outros filhos. Deus chama Jesus de unigênito (Jo 3.16), ou seja, o único filho gerado. Fica claro que Jesus é o único filho gerado por Deus e o primeiro filho entre os filhos de Maria.

Eusébio de Cesaréia confirma dizendo: “Ainda viviam da FAMÍLIA de nosso Senhor os netos de Judas, chamado IRMÃO DE NOSSO SENHOR DE ACORDO COM A CARNE” (Eusébio de Cesaréia (263-340 d.C), História Eclesiástica, CPAD, 4ª Edição 2003, p. 97 – grifo acrescentado). Veja os textos que falam sobre a família de Jesus: Mt 13.55-58; Mc 6.3-6; Mt 12.46-50; Mc 3.32-35; Lc 8.19-21; Jo 2.12; Jo 7.2-5; At 1.13-14; At 12.17; 15.13, 1Co 9.5; Gl 1.18-20.

(4)   O que significa a “filiação eterna de Cristo”?

O assunto da filiação eterna de Cristo não é muito debatida ou mesmo conhecida para a maioria dos cristãos. Mas, o que quer dizer esta doutrina? Significa dizer que Jesus sempre foi o Filho de Deus mesmo antes da encarnação. Alguns teólogos crêem na doutrina da “filiação encarnacional”, ou seja, Jesus se “torna” Filho de Deus depois da encarnação, e não antes. Isso está intrinsecamente ligado ao tema do estudo. Veja: Jesus não se tornou Filho de Deus porque “nasceu” em Maria. Ele sempre foi Filho de Deus antes de Maria existir. O conhecido pastor John MacArthur Jr[3], que não cria na doutrina da filiação paterna, voltou atrás em sua posição. Veja o que ele diz sobre o assunto:

“...quero declarar publicamente que abandonei a doutrina da ‘filiação encarnacional'. Um estudo cuidadoso e reflexão me trouxeram ao entendimento de que a Escritura, de fato, apresenta o relacionamento entre Deus o Pai e Cristo o Filho como um relacionamento eterno de Pai-Filho...

O que levou este estimado pastor a mudar de opinião, segundo ele, foram duas razões: (1) Estou agora convencido de que o título “Filho de Deus” quando aplicado a Cristo na Escritura sempre fala de sua deidade essencial e de sua igualdade absoluta com Deus, não de sua subordinação voluntária. Os líderes judeus dos tempos de Jesus entenderam isso perfeitamente. João 5:18 diz que eles pediram a pena de morte contra Jesus, acusando-o de blasfêmia “porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”. (2) É agora minha convicção de que a geração da qual se fala em Salmos 2 e Hebreus 1 não é um evento que aconteceu no tempo. Mesmo que à primeira vista a Escritura pareça empregar terminologia com insinuações temporais (“hoje te gerei”), o contexto do Salmo 2:7 parece se referir claramente ao decreto eterno de Deus. É razoável concluir que a geração da qual se fala ali também é algo que pertence à eternidade, e não a um ponto no tempo. A linguagem temporal deveria ser entendida, portanto, como figurativa, não literal.

CONCLUSÃO: Pelo que foi proposto acima, entendo que devido ao espaço dado a lição, não dá pra trazer uma exposição completa sobre o assunto. Contudo, os pontos trabalhados servem como um norte para que o aluno possa entender, ou pelo menos, ter uma base das doutrinas relacionada ao nascimento virginal de Cristo. Ainda é preciso reconhecer que existem pontos que os teólogos nunca chegarão a um acordo por se tratar de coisas incompreensíveis para a mente limitada do homem e recebida apenas por fé. E todos aqueles que tentaram explicar o inexplicável, criaram heresias.   




                                                                         SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER



PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

  1. Como você entende o papel de Maria na concepção de Jesus?
  2. Há alguma prova bíblica do nascimento virginal, excluindo-se os evangelhos segundo Mateus e Lucas?
  3. Pra você qual a importância de Jesus ter nascido de uma virgem?
  4. Como você entendeu a questão de Jesus ser Filho de Deus?
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O Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior nasceu em Esperança – PB. Faz parte do quadro de ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. Palestrante e pesquisador na área de Apologética em geral, Técnico Agrícola pela UEPB e Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Fez um curso de Apologética por extensão pelo ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). Especialista em Teologia e História pelo SPN – Seminário Presbiteriano do Norte (Recife). Atualmente faz gestão Pública pela Metodista de São Paulo (EAD - Pólo: Campina Grande) Novo E-mail: oapologista@yahoo.com.br


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[1] Retirado do blog: www.lucianodg.com/teologia/sistematica/apessoadecristo2.doc