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4.29.2010

A IMPECABILIDADE DE CRISTO


Por

Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior*.

TEXTO BÁSICO: João 8.46

OBJETIVO DA LIÇÃO: O objetivo da lição é mostrar biblicamente a importância de Cristo ser sem pecado para a salvação dos homens e como os sacrifícios no A.T. estão relacionados com este assunto.

INTRODUÇÂO: Jesus poderia ou não pecar? Se ele não poderia pecar, então por que ele foi tentado? E se ele foi tentado e não poderia pecar, a tentação foi um teatro? O que aconteceria se Jesus pecasse? Quantas vezes já escutamos essas e outras perguntas relacionadas com a impecabilidade de Jesus. Há muito tempo os teólogos e estudiosos debatem sobre a impecabilidade de Cristo. Quero, de forma sucinta, delimitar alguns pontos nesta lição que poderá nos servir de norte com relação ao tema. Contudo, já aviso para as mentes curiosas, que algumas perguntas vão ficar sem respostas por se tratar apenas de especulação humana. As Escrituras têm certos pontos que continuam “difíceis de entender que os ignorantes e instáveis deturpam”, como já nos advertiu o apóstolo Pedro. Para não nos perdermos com achismos, tentaremos responder algumas questões que julgo necessárias: (1) Existe base bíblica para a impecabilidade de Cristo? (2) Porque Cristo tinha que ser sem pecado? (3) Qual a importância da impecabilidade de Cristo para a doutrina da salvação? (4) Como a pureza do sacrifício no A.T. nos ensina sobre a impecabilidade de Cristo?

(1)   A primeira pergunta é óbvia: Será que existe realmente base bíblica para a impecabilidade de Cristo?

Alguns teólogos e pensadores defendem que Cristo pecou. Vários artigos e filmes tentam mostrar que Ele teve até um caso com Maria Madalena e teria uma filha, que vive na França ou até mesmo na Índia, cujo nome é Sara[1]. Mas, para o cristão, o que significa Jesus não ter pecado? Quais são os textos que fala que Cristo não cometeu pecado?

Louis Berkhof[2] diz o seguinte sobre o tema:

Atribuímos a Cristo não somente integridade natural, mas também moral, ou perfeição moral, isto é, impecabilidade. Significa não apenas que Cristo pode evitar o pecado (potuit non peccare), e que de fato evitou, mas também que Lhe era impossível pecar (non potuitpeccare), devido à ligação essencial entre as naturezas humana e divina. A impecabilidade de Cristo foi negada por Martineau, Irving, Menken, Holsten e Pfleiderer, mas a Bíblia dá claro testemunho dela nas seguintes passagens: Lc 1.35; Jo 8.46; 14.30; 2Co 5.21; Hb 4.15; 9.14; 1Pe 2.22; 1Jo 3.5. Apesar de Jesus ter-se feito pecado judicialmente, todavia, eticamente estava livre tanto da depravação hereditária como do pecado fatual. Ele jamais se fez confissão de erro moral; tampouco se juntou aos Seus discípulos na oração: “perdoa as nossas dívidas” (os nossos pecados). Ele pôde desafiar os Seus inimigos a convencê-lo de pecado. A Escritura até O apresenta como pessoa em quem se realizou o ideal moral, Hb 2.8, 9; 1Co 15.45; 2Co 3.18; Fp 3.21. Além disso, o nome “Filho do Homem”, do qual se apropriou, parece dar a entender que Ele correspondeu ao perfeito ideal de humanidade.

Outros pontos importantes devem ser observados, por exemplo:

ü    a. A Bíblia mostra Jesus como um sumo sacerdote totalmente sem mancha e feito mais alto que os céus (Hb 7:26; 9:14). Pedro nos ensina que Jesus é o Santo de Deus (Jo 6.69) e que não cometeu pecado (2Pe 2.2). O que está de acordo com a afirmação de João, que em Jesus não existe pecado (1Jo 3.5), e as de Paulo que Cristo não conheceu pecado (2Co 5.21). 

ü     b. Jesus mesmo alegou, de forma tanto explícita quanto implícita, ser justo. Ele perguntou aos ouvintes: "Quem dentre vós me convence de pecado?" (Jo 8.46).


      c. A esposa de Pilatos (Mt 27.19): "Não te envolvas com o sangue deste justo". 


      d. O ladrão na cruz (Lc 23.41): "este nenhum mal fez". 


        e. O próprio Judas, o traidor (Mt 27.4): "Pequei, traindo sangue inocente".


       f. A impecabilidade de Cristo é essencial à Sua suficiência como Salvador, na obra sacrifical pelos pecadores, e é enfatizada não somente aqui como através de toda a narrativa do plano divino da redenção[3].

(2)     A segunda pergunta é basilar: Porque Cristo tinha que ser sem pecado? Devido ao espaço reservado para esta lição não podemos nos aprofundar em algumas questões. Mas basta conferir os textos bíblicos que muitas dúvidas são esclarecidas. No Catecismo de Heidelberg, as perguntas 15 a 18 esclarecem, de forma sucinta, a questão:

Então, que espécie de mediador e redentor devemos buscar? Alguém que seja verdadeiro homem e homem justo, e, contudo, mais poderoso que todas as criaturas, isto é, alguém que seja, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus –  1Co 15.21; Hb 7.26; Is 7.14; 9.6; Jr 23.6; Lc 11.22; Rm 8.3, 4.

Por que deve ele ser verdadeiro homem e homem justo? Porque a justiça de Deus exige que a natureza humana que pecou pague pelo pecado, mas o homem, que é pecador, não pode pagar por outros. Is 53.3-5; Jr 33.15; Ez 18.4, 20; Rm 5.12-15; 1Co 15.21; Hb 2.14-16. Sl 49.7; Hb 7.26, 27; 1Pe 3.18. 

Por que deve ser ele Deus ao mesmo tempo? Para que assim, pelo poder da sua divindade, possa suportar, como homem, o peso da ira de Deus e recuperar por nós e restaurar para nós a justiça e a vida perdidas.Is 9.6; Rm 1.4; Hb 1.3; Is 53.4, 11;  Dt 4.24; Sl 130.3; Naum 1.6; Is 53.5, 11; Is 54.8; Jo 3.16; At 20.28; 1Pe 3.18

Quem é esse mediador, que é, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem e homem justo? Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos é dado livremente para total redenção e justiça. Jr 23.6; Mt 3.1; Rm 8.3; Gl 4.4; 1 Jo 5.20; Lc 1.42; 2.6, 7; Rm 1.3; Fp 2.7; Hb 2.14, 17; 4.15; Is 53.9, 11; Jr 23.5; Lc 1.35; Jo 8.46; Hb 4.15; 7.26; 1Pe 1.19; 2.22; 3.18; Mt 1.23; Lc 2.11; Jo 1.1, 14; 14.6; Rm 9.5; 1Tm 2.5; 3.16; Hb 2.9; 1Co 1.30; 2Co 5.21. 

(3) Qual a importância da impecabilidade de Cristo para a doutrina da salvação? Como foi visto acima: como poderá um pecador pagar pelos pecados de outros pecadores? Jesus manifesta a verdadeira natureza da humanidade. Só sendo Deus e homem ao mesmo tempo para que esse sacrifício fosse completo. Só Cristo cumpre essas exigências. O motivo mais importante para que Jesus seja Deus é que se Ele não é Deus, Sua morte não teria sido suficiente para pagar a pena pelos pecados do mundo (1João 2.2). Somente Deus poderia pagar tamanho preço (Rm 5.8; 2Co 5.21). Jesus tinha que ser Deus para que pudesse pagar nossa dívida. Jesus tinha que ser homem para que pudesse morrer. 

Quais os benefícios do sacrifício de Cristo? Dentre muitos, podemos citar os seguintes:
  1. Perdão dos pecados – Hb 10.11-12
  2. Salvação e vida eterna – Rm 8.1
  3. Justificação diante do Pai – Rm 5.1
  4. Recebemos uma herança gloriosa – Hb 9.15
  5. Tornamos-nos filhos de Deus – João 1.12; Rm 8:15-17
  6. Somos habitados pelo Espírito Santo – João 14:16,17; Gl 4.6; 1Co 6.19
  7. Somos libertados do império das trevas – Cl 1.13; João 8.36
  8. Viramos embaixadores de Deus – João 20.21; 2Co 5.20; 2Co 5.18; Rm 8.19, etc
(4) A quarta, e última questão, é a seguinte: Como a pureza do sacrifício no A.T. nos ensina sobre a impecabilidade de Cristo?

Quando se lê sobre os sacrifícios de animais no Antigo Testamento, por exemplo, muitas pessoas se perguntam: Por que Deus exigia sacrifícios de animais?"

Deus exigia sacrifícios de animais para que os homens pudessem receber o perdão dos seus pecados (Lv 4.35; 5.10). Quando Adão e Eva pecaram, animais foram mortos por Deus para providenciar vestimentas para eles (Gn 3.21). Caim e Abel trouxeram ofertas ao Senhor. A oferta de Abel foi aceitável porque ele trouxe “das primícias do seu rebanho e da gordura deste” (Gn 4.4-5). Deus ordenou que Abraão sacrificasse seu filho Isaque. Abraão obedeceu a Deus, mas quando Abraão estava prestes a sacrificar a Isaque, Deus interveio e providenciou um carneiro para morrer no lugar de Isaque (Gn 22.10-13). 

De acordo com Lv 1.1-4, certo procedimento era para ser seguido. Primeiro, o animal tinha que ser perfeito. Segundo, a pessoa que estava oferecendo o animal tinha que se identificar com ele. Então, a pessoa oferecendo o animal tinha que infligir morte ao animal. O sacrifício de animais terminou porque Jesus Cristo foi o sacrifício supremo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29). Você pode estar se perguntando: “por que animais? O que eles fizeram de errado?” Esse é justamente o ponto: já que os animais não fizeram nada de errado, eles morreram no lugar daquele que estava executando o sacrifício. Jesus Cristo também não tinha feito nada de errado, mas voluntariamente entregou-Se a morrer pelos pecados da humanidade (1Tm 2.6).

A idéia de morrer em lugar de outra pessoa, na teologia, chama-se substituição. Jesus Cristo tomou para Si o nosso pecado e morreu no nosso lugar. 2Co 5.21 diz: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Através de fé no que Jesus Cristo cumpriu na cruz é que podemos receber perdão.

Mackintosh[4] nos diz ainda que:

No holocausto, com o qual abre o livro de Levítico, temos uma figura de Cristo, que "se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus" (Hb 9:14). Daí a posição que o Espírito Santo lhe dá. Se o Senhor Jesus Cristo Se manifestou para realizar a obra gloriosa da expiação, o Seu mais desejável e supremo objetivo, na sua consecução estava a glória de Deus. "Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Hb 10:9), era o grande lema em todas as cenas e circunstâncias da Sua vida, e em nenhuma tão completamente como na obra da cruz. Fosse qual fosse a vontade de Deus, Ele veio para a fazer. Bendito seja Deus, nós conhecemos qual é a nossa parte na realização dessa "vontade"; pois por ela "temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez" (Hb 10:10).

CONCLUSÃO: Cristo foi o nosso substituto como o sacrifício perfeito, sem mancha, sem pecado, para com Deus. Verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Não é mais preciso sacrificar animais em um altar, visto que Jesus foi o sacrifício perfeito que Deus receber de uma vez por todas e para sempre. Basta crermos neste sacrifício para termos os nossos pecados perdoados e nossa alma pacificada pelo sangue do Cordeiro de Deus, nosso grande mediador (1 Timóteo 2:5).


SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

1.                  Na sua concepção, qual texto bíblico traz de forma inegável a impecabilidade de Cristo?
2.                  Se Cristo tivesse pecado você acha que ainda existiria salvação para os homens?
3.                  Se Cristo não pecou, como você pode entender a tentação em Mateus 4.1-11?
4.          É válido ainda hoje relembrar os sacrifícios nas igrejas evangélicas como forma de aprender sobre os mesmos ou isso é voltar para as velhas práticas que já caducaram?

_______

*O Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior nasceu em Esperança – PB. Faz parte do quadro de ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. Palestrante e pesquisador na área de Apologética em geral, Técnico Agrícola pela UEPB e Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Fez um curso de Apologética por extensão pelo ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). Especialista em Teologia e História pelo SPN – Seminário Presbiteriano do Norte (Recife). Atualmente faz gestão Pública pela Metodista de São Paulo (EAD - Pólo: Campina Grande) Novo E-mail: oapologista@yahoo.com.br 



[1] Idéia propagada pelo livro de Dan Brow: O Código Da Vinci.
[2] Retirado do seguinte endereço eletrônico: http://www.monergismo.com/textos/cristologia/impecabilidade_cristo.htm
[3] Davidson, F. O Novo Comentário da Bíblia, São Paulo, Vida Nova, 1997, p. 2.423. (versão digital).
[4] MACKINTOSH, C. H. Estudos Sobre o livro de Levítico, Diadema São Paulo, Depósito de Literatura Cristã, 2002. p. 8

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